Será que esse choro é fome?

Uma das maiores preocupações das mães, durante os casos que usualmente verifico ainda na gestação, é em ter leite o suficiente para amamentar.

Bom, em relação ao posicionamento é importante ressaltar que a mãe deve se sentir confortável para amamentar e segura da sua suficiência para produzir o alimento e conduzir o processo de aleitamento.

A posição em que a mãe estará para amamentar, influencia no seu conforto e, portanto, participa diretamente do processo de produção, já que para produzir a ocitocina, hormônio relacionado ao bem-estar, prazer, a mãe deve assim se sentir, ou seja, é importante que esteja relaxada.

Uma vez posicionada, deve:

– posicionar o bebê para mamar, segurando-o de forma que ele e o corpo todo dele esteja alinhado e grudado ao da mãe (barriga com barriga), cabeça alinhada ao tronco;

– após, vai posicionar a mão em “C” para fazer a prega no seio, com o dedo polegar acima de onde começa a parte marrom da aréola, e o indicador na parte inferior do seio, também onde inicia a parte marrom, comprimindo toda a região – por isso é ideal que se faça massagem antes,  para então estimular a abertura da boca do bebê e inserir toda a região da aréola dentro da cavidade oral do RN);

– observar a mamada, o bebê inicia o estímulo, até que muda o padrão da deglutição até efetivamente sugar e engolir; uma vez que ele diminui essse padrão, ou solta a mama, é importante oferecer a outra da mesma mamada; caso ele não queira, comprima-a um pouco para retirar o leite que não foi ingerido da outra mama, seja usando uma fralda para absorver ou jogando fora na pia.

Repito muito, porque muitas mães acham que a região da aréola é muito grande para a boca do bebê, fazem a prega menor do que deveria, e acabam colocando só o mamilo na boca do bebê, o que é um prato cheio para fissura.

Sobre a oferta de ambas as mamas na mesma mamada e retirada do leite que não foi ingerido, esclareço que o leite “parado”, manda a mensagem para o corpo de que não precisa produzir mais, o que pode diminuir a produção do leite.

Então não se preocupe em ter peito cheio.

Para analisar se a mamada foi efetiva, você observará:

– a alteração do padrão de sucção e deglutição durante a mamada, inicialmente maior quantidade de sucção para estimular, depois com a descida do leite padrão suga-engole, com pausas para estímulo e descanso;

– seios mais leves ao final da mamada (apalpe-os sempre antes de ofertar para verificar peso, textura, e analisa-los ao final);

– quantidade de xixis na fralda e cocôs diários, no primeiro mês, o que indica hidratação (perto do fim do primeiro mês é mais comum espaçar o cocô);

– ganho de peso suficiente;

– bebê relaxado ao final da mamada.

Com tudo isso, você analisa se o bebê está mamando bem.

MAS E SE O BEBÊ CONTINUAR CHORANDO?

Nos primeiros dias após o parto, é comum que o RN durma muitas horas seguidas. Até que ele “percebe” que nasceu. Dentro do útero o bebê estava pelado em um ambiente quentinho (37º todo o tempo), barulhento (ruídos internos do corpo da mãe), escuro, sem sentir fome (nutrido o tempo todo pelo cordão umbilical), aconchegado ali junto ao corpo da mãe o tempo todo.

Depois que nasce, terá sensações que antes não tinha, com a claridade, desconforto de alterações de temperatura (quente e frio), desconforto pela fome (que não sabe ainda o que é), desconforto pelo contato de roupas e fraldas, precisa aprender a respirar, se alimentar, chamar atenção… já não estará todo encolhido dentro da mãe, estará fora, com espaço demais, são desconfortos demais para um recém-chegado.

Além disso os bebês humanos nascem “incompletos”, o intestino continuará em desenvolvimento, cérebro, visão, tudo continua a se desenvolver. Os humanos são os únicos mamíferos que não nascem e andam com poucas horas de vida. Eles nascem porque precisam, e porque o corpo da mulher não conseguiria abriga-lo até o desenvolvimento completo.

O CHORO é a primeira forma de comunicação do bebê, e a sucção o acalma (ele suga dedo, cordão umbilical, desde o útero). Então, no desconforto que causa o choro e na vontade de calá-lo logo, geralmente coloca-se o bebê no seio para mamar e ele cala-se porque lhe é confortável.

Mas existem outras formas de acalmá-lo, charutinho, sling (pano com amarração), banho (no ofurô ou balde), passeio, conversa, ruídos brancos, etc. Por no peito é o mais fácil e rápido.

Algumas famílias, desconfortáveis, e pensando que o leite é fraco, oferecem a fórmula. O Leite artificial (não materno), demora mais a ser digerido e demora mais a demandar o seio da mãe… ou, geralmente, é ofertado em quantidade muito maior do que o estomago do bebe suporta, olha a evolução do estômago do RN através de imagem:

E aí, o que acontece quando (nós, adultos) comemos demais? Sono e preguiça. E com o bebê? Também! Logo, acaba demorando mais para mamar o leite materno e dormindo mais porque o organismo do bebê vai demandar MUITO MAIS energia para digerir aquele leite artificial.

Então alguns pais associam o leite materno como se fosse “fraco”, por conta disso; quanto mais leite artificial o bebê toma, menos ele demanda o peito da mãe, se mama menos, a mãe produz menos.

Se esse leite é ofertado na mamadeira, ele entende que o fluxo da mamadeira é fácil e contínuo (virou a mamadeira, o leite desce), ao contrário do leite da mãe, que o bebê tem que estimular até vir em maior quantidade (reflexo de ejeção).

Por isso, aquela mamadeirinha marota a noite tende a impactar muito a produção do leite da mãe, e a demanda do RN pelo seio… uma bola de neve.

UFA!

Acompanhe os sinais da mamada do bebê, seu seio, e verifique, conseguiu notar a “descida do leite”, viu que as fraldas estão ok, balança ok.. quando o bebê chorar, tente outras formas de acalmá-lo! Acolha o choro, conheça as necessidades, e tenha confiança na capacidade de SEU leite e condição de nutri-lo.

Sobre a SMAM: Comemorada entre os dias 1 a 7 de agosto, esta semana de incentivo ao aleitamento materno é organizada pela Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (WABA) criada em 1992 com o objetivo de promover as metas voltadas à saúde da criança, definidas pela UNICEF em decorrência da OMS. Cumpre ao Ministério da Saúde, desde 1999, coordenar a difusão das informações, juntamente às Secretarias de Saúde de cada Estado e Municípios. Sobre a Autora: Camila R. Alves teve dificuldades relacionadas ao AM e com o auxílio adequado pôde contornar os desafios e ter segurança no seu processo do aleitamento; capacitou-se para conhecer mais sobre o assunto que excede sua formação universitária, e hoje promove a difusão do aleitamento através do perfil de Instagram voltado à amamentação @amigasdotetah por acreditar que o conhecimento através da informações baseadas em evidências e atualizadas fomentam a autonomia da mulher e da família para a escolha e condução do AM.

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