A produção do leite materno

A produção do leite, tal qual o desenvolvimento das mamas, também ocorre em etapas. Desta forma, a primeira forma de apresentação do mesmo é através do COLOSTRO. Então, não espere ter leite na maternidade , isso não é esperado mesmo, já que permanecemos no local por volta de 48h, período insuficiente até que ocorra a transição até o leite “branquinho”.

Nos primeiros dias tudo que teremos será uma substância amarelada, que tende a sair em gotinhas nas primeiras estimuladas, mas que tem a capacidade de rápido aumento de volume, conforme a estimulação do bebê e sua capacidade gástrica.

O COLOSTRO é rico em anticorpos e leucócitos, vitamina A, que protege contra infecções e alergias, previne doenças oculares, atua como laxante para auxiliar a evacuação do mecônio (primeiro cocô do bebê, preto e pegajoso) e a prevenir icterícia. É importantíssimo para o sistema imunológico do recém-nascido e funciona como sua primeira “vacina”.

Por volta do 3º ao 5º dia após o parto, ocorre a chamada APOJADURA, onde ocorre a transição do colostro para o LM. É um momento onde os seios ficam inchados e doloridos. As estruturas internas das glândulas mamárias estarão inchadas e dilatadas.

É importante ofertar o seio ao RN com frequência nessa fase, esvaziando-o para que não ocasione a mastite, comum no período; orienta-se, também, que a mãe massageie a mama antes de ofertar ao bebê, já que o seio inchado prejudica que a mãe faça a prega antes da aréola para ofertar na mamada.

Sugestão de massagem:

Caso a mãe não consiga fazer a prega adequadamente, há o risco do bebê abocanhar somente o bico, e essa pega incorreta é uma das causas das fissuras e traumas mamilares.

Algumas mulheres demandam atenção especial nesse momento da transição do colostro para a apojadura. Caso tenham cirurgias mamárias ou bariátrica anteriores à gestação; mulheres diabéticas; portadoras de disfunções na tireoide ou outros problemas hormonais, como a Síndrome do Ovário Policístico anteriormente detectada; portadoras de lúpus.

Tanto na fase do colostro quanto na da apojadura o indicado é que o bebê seja amamentado em LIVRE DEMANDA, o que significa sempre que o bebê demandar, já que para o aumento do volume necessário do colostro e até que acabe a apojadura, a sucção do bebê é o melhor estímulo que poderá haver. O leite é produzido conforme a demanda do bebê, e sua produção é estimulada com maior ênfase pelos hormônios prolactina e ocitocina.

Durante a mamada é comum que a mãe sinta a “descida  do leite”, momento chamado de reflexo de ejeção, através de alguns sintomas como sonolência, leve ardência ou formigamento nas mamas, calor, sede, contrações uterinas nos primeiros dias após o parto, etc. Nesse momento de ejeção do leite é possível perceber que o bebê muda o padrão de mamada.

No inicio da mamada o bebê vem e suga, suga, suga, suga, até de fato deglutir (engolir). No momento do reflexo de ejeção o bebê adota um padrão de suga-engole, suga-engole, e ao final da mamada tende a estar saciado e largar o peito sozinho; é sempre bom ofertar a outra mama ainda nesta mamada.

Considerando que quanto mais o bebê mama, mais leite terá, não é viável esperar o peito encher para poder oferecer ao bebê.

Primeiro porque as glândulas mamárias não tem onde armazenar o leite, não tem como estocar: após a mamada a prolactina continua agindo nos alvéolos produzindo um tico de leite que fica ali na região e nos ductos, 80% do leite materno é produzido durante a mamada, enquanto sai os alvéolos tem a condição de produzirem mais e mais leite;

Segundo porque o leite parado nas mamas produz o chamado FIL, fator inibidor da lactação, de modo que esse fator, na corrente sanguínea, “avisa o corpo” de que o que está ali nos alvéolos e ductos está parado, não tem bebê mamando, portanto, freia a produção do leite.

Por fim, ao final do primeiro mês pós parto, o corpo da mulher já sabe quantos bebês nasceram, quais os horários geralmente é demandado, de modo que há o equilíbrio da produção de leite, e assim, o seio não encherá mais do que deve.

Repare a evolução do leite materno e do estômago do RN:

Vamos combinar seu SEU corpo é perfeito demais? Acho que já é informação demais por hoje né. Amanhã eu retomo o assunto para falar sobre como é a produção e o posicionamento ideal do bebê.

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SEMANA DOURADA: Você já ouviu falar de Golden Hour ou HORA DE OURO? É um direito da parturiente amamentar seu filho NA PRIMEIRA HORA de vida, dentro da sala de parto, independentemente do TIPO de parto.

O contato com a mãe logo após o parto, o aconchego de seus braços, sentir seu cheiro e seus batimentos cardíacos, ajudam o bebê nesta transição do útero para o mundo aqui fora, já que se configuram como ambientes tão distintos. Além disso, uma vez em contato com sua mãe, o RN tende a procurar seu o seio e tentar sugar, e essa proximidade já propicia o reflexo de liberação hormonal necessário para desencadear a amamentação.

Após o parto e o banho, o RN entra em um período de inatividade, sono intenso, por 8 a 12 horas, já que gastará muita energia para manter-se aquecido e adaptar-se ao ambiente aqui fora.  Converse com seu médico ainda no pré-natal para solicitar a efetivação desse direito.

Sobre a SMAM: Comemorada entre os dias 1 a 7 de agosto, esta semana de incentivo ao aleitamento materno é organizada pela Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (WABA)

Sobre a Autora: Camila R. Alves teve dificuldades relacionadas ao AM e com o auxílio adequado pôde contornar os desafios e ter segurança no seu processo do aleitamento; capacitou-se para conhecer mais sobre o assunto que excede sua formação universitária, e hoje promove a difusão do aleitamento através do perfil de Instagram voltado à amamentação @amigasdotetah por acreditar que o conhecimento através da informações baseadas em evidências e atualizadas fomentam a autonomia da mulher e da família para a escolha e condução do AM.

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